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Aqui, neste espaço virtual você poderá encontrar informações que ajudem a modificar a sua relação e a sua intervenção no desenvolvimento de sua criança.


Conversando com a Luiza



Conversando sobre crianças amplia seu espaço e convida você a interagir com a psicóloga Maria Luiza Barbosa.

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quinta-feira, 8 de abril de 2010

HABILIDADES SOCIAIS EM SEIS CONVERSAS


Habilidade social de comunicação

A maioria das condutas sociais são compostas de conversas, durante as quais utilizamos habilidades intelectuais e educacionais. Estas habilidades compostas de elementos verbais e não-verbais são desenvolvidas através de treinamento, inicialmente em casa, com os familiares.
É de fundamental importância conversar com a criança sobre o seu dia-a-dia, fazer e responder perguntas gerais “como vão as coisas”, específicas “do que você brincou durante o recreio”, sobre fatos “o que aconteceu no aniversário do seu amigo”, sobre sentimentos “o que você sentiu quando não o escolheram para o time”. O objetivo destas conversas vai além de promover intimidade, proporciona conhecimento da conduta apropriada para uma conversação, e dos costumes sociais, além de aprender a colocar-se no lugar do outro e desenvolver habilidades de processamento da informação.
O olhar é elemento importante numa conversação, uma fonte de retroalimentação, ele estimula o desenvolvimento do assunto e sustenta a comunicação. Quando for conversar com seu filho, escolha momentos em que não esteja ocupado com o trabalho ou com qualquer atividade que exija sua atenção.
Sente-se, olhe, escute, pergunte, corrija sem desvalorizar o que está sendo falado, e principalmente mantenha este hábito, você estará contribuindo na formação social da criança.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

FRUSTRAÇÃO INFANTIL


É comum ver e ouvir histórias de crianças que demonstram baixa tolerância à frustração e pais que não suportam o sentimento de culpa por frustrá-las. Portanto podemos concluir que uma das causas dos comportamentos “rebeldes” e “indisciplinados” das crianças é a inconstância na definição dos limites.
A frustração é importante para o desenvolvimento da criança, habilitando-a para a adaptação ao meio em que ela vive. Além disso, estimula a criatividade na busca de alternativas, com o objetivo de solucionar o problema ou minimizar consequências.
Crianças intolerantes à frustração são autoritárias, implicantes, irritáveis, inconvenientes e muito, muito chatas!
Querer proteger a criança de qualquer perda, tristeza, decepções...é uma ilusão e quando ela entra em contato com algum desses sentimentos sem ter experiências anteriores, não sabe suportar e lida de modo exagerado com a situação.
A disciplina deverá estar em todas as etapas do desenvolvimento infantil, mas de acordo com as etapas evolutivas, por exemplo, não se deve estimular a criança a fazer suas necessidades no vaso sanitário com seis meses de idade, pois ela não está madura para o controle dos esfíncteres.
Crianças precisam saber até onde podem ir e é por meio de limites e frustrações que elas aprendem que existem regras, que deve fazer sacrifícios e adiar a satisfação de suas necessidades.
Devemos sempre ter em mente que a criança observa e imita nossas ações, portanto os ensinamentos devem ser coerentes entre o que “pregamos” e o que fazemos.
Refletir sempre que a disciplina não tiver o resultado esperado, pois muitas vezes insistimos em estratégias padronizadas. Ir para o quarto “pensar” depois de ter mentido será que funciona para crianças hiperativas? E ficar sem assistir TV durante três dias ensina a criança a fazer suas lições de casa todos os dias?
Não existe receita quando falamos da dinâmica humana, mas existem algumas referências que servem de base para ajudar com a educação das crianças:
• Educar exige sacrifício como paciência, firmeza e principalmente perseverança: não se ensina em “duas aulas”, ensinar é um processo, portanto muitas vezes precisamos fazer uma revisão, e para passar para a segundo etapa, a criança precisa ter aprendido a primeira etapa.
• Parceria entre os pais dá consistência à educação.
• Manter hábitos traz segurança à criança.

Como se diz: criança não vem com manual, então cabe aos pais definir a maneira mais adequada de educá-la.







quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

OFICINA DE CONFECÇÃO DE BRINQUEDOS


A oficina de confecção de brinquedos é mais um investimento na aprendizagem informal. Com base na idéia de que a atividade mental surge na ação, o terapeuta trabalha em cima da relação cérebro-mão.
A oficina de confecção de brinquedos tem como base a atividade lúdica direcionada, e os objetivos pré-estabelecidos são na linha da aprendizagem. O intuito é fazer a criança ultrapassar a simples tentativa e erro, e explorar seu potencial intelectivo, estimulando habilidades de raciocínio lógico e intuitivo, assim como a capacidade criativa.
Durante a confecção do brinquedo não interessa tanto o valor estético, pois a atividade e seu produto servem como mediadores da expressão da criança.
Além da aprendizagem, a oficina de confecção de brinquedos contribui na formação de futuros cidadãos conscientes, com respeito mútuo, solidariedade, cooperação, sinceridade, respeito às regras e senso de responsabilidade.
Na oficina trabalham crianças de idades diferentes, de 6 a 12 anos, pois a diversidade estimula a troca de conhecimento, a cooperação e o respeito às diferenças.
Nesta proposta semi-diretiva cabe ao terapeuta planejar, organizar, supervisionar e participar da atividade, observando e intervindo para que haja uma análise das ações.
Esta análise tem como objetivo enriquecer as estruturas mentais da criança, e poderá se constituir num referencial para a transferência da estratégia utilizada no contexto lúdico, para as outras situações de vida diária.
Os primeiros resultados deste trabalho são apontados pelos pais, que contam que seus filhos parecem mais preparados para enfrentar situações adversas, aumentando a capacidade de suportar frustração.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ROTINA PRODUTIVA


O ano de 2010 está começando a tomar forma, e o que possibilita esta sensação é a retomada da rotina.
A rotina nem sempre é encarada como uma coisa boa, as pessoas normalmente a classificam como um aprisonamento, mas é justamente a rotina que nos permite compreender e controlar o nosso dia-a-dia. A idéia de controle ameniza a nossa ansiedade e nos permite prever o futuro próximo e adequar nosso comportamento.
É esta previsão do futuro que dá confiança à criança para saber que quando acaba a escola, a mãe estará na porta para levá-la para casa. Mas é bom saber que existem rotinas que devem ser mantidas, e outras que podem ser modificadas, porque este é um movimento constante na vida de todos.
As férias são importantes para as crianças, não apenas porque viajam, passeiam mais, mas porque a rotina é quebrada, e elas podem vivenciar outras formas de organizar seu dia.
As aulas recomeçaram e é hora de retomar a rotina:
·Dormir: ter hora certa para dormir diminui as resistências da criança, de ir para a cama.
·Estudar: não existe uma regra sobre se é melhor estudar e depois brincar ou brincar e depois estudar, o importante é dividir o tempo entre as atividades, e que a dinâmica escolhida seja constante no dia-a-dia da criança.
·Brincar: a atividade lúdica estimula o processo de construção do conhecimento, e deve fazer parte da rotina da criança.
.Tempo com a família: conversar, fazer carinho, ajudar na cozinha, cuidar do cachorro...devem fazer parte da rotina da criança para que crie intimidade com os membros da família.
As rotinas ensinam a criança a interiorizar o tempo, as horas, e o que é esperado que aconteça a cada etapa do dia. Além de transmitirem segurança, é a base da aprendizagem das regras e dos limites.
Como podem ver a rotina é uma aliada para o bom desenvolvimento da criança, assim ela deve ter hora para dormir e acordar, pois o processo de aprendizagem é facilitado pela atenção da criança bem disposta. É necessário palnejamento para que as refeições não sejam comprometidas, crianças que acordam perto da hora do almoço ficam mais irritadiças e menos dispostas a esforço mental.
Cada família deve estabelecer a sua rotina, considerando as necessidades da criança, e os benefícios que ela promoverá.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

"É PROIBIDO PROIBIR"


Lembram-se da frase "É Proibido Proibir" ?


Estas foram palavras de ordem das décadas de 60 e 70, do movimento hippie.


Pelo que vemos hoje em dia, boa parte dos pais não conseguem controlar seus filhos, porque eles mesmos acreditam que tudo são direitos e nada é dever, herança da luta pela liberdade.


É lamentável que as pessoas confundam o poder de impor limites necessários à educação, para a convivência em sociedade com o exacerbamento deste poder, ditado apenas pelo desejo de se impor a qualquer custo.


Os pais tem medo de exercer qualquer poder sobre seus filhos, seja ele justo e necessário.


A criança torna-se civilizada através da aprendizagem de regras e limites, e isto não quer dizer que é só dizer “não”, os pais devem ser firmes e constantes no estabelecimento de normas, e principalmente, se conscientizar que a autoridade parental é legítima.


Fala-se muito sobre a falência da instituição familiar, mas pouco se entende porque isto está acontecendo. A sociedade moderna exige que sejamos produtivos e consumidores, e para isso devemos investir muito no nosso trabalho. Essa mesma sociedade prega um descompromisso com todas as tradições e incita as pessoas a viver de maneira oposta às escolhas de seus pais.


Pai e mãe ficam por muito tempo longe de seus filhos, e acabam se sentindo impossibilitados para educa-los, transferindo a responsabilidade para cuidadores e educadores, o que parece não resolver o problema.


A falta de autoridade já estabeleceu o absurdo...crianças comandam e determinam de que jeito querem as coisas, pais obedecem e procuram não frustrar seus pequenos, com medo de causarem traumas e deixarem de ser amados por eles.


Para que vocês tenham idéia de como a coisa está feia é só olhar o sucesso das séries televisivas tipo Supernanny.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

OBESIDADE INFANTIL


Existem controvérsias sobre a definição da obesidade infantil, mas sabe-se que envolve fatores genéticos, nutricionais, endócrinos e sedentarismo.
O que vemos hoje em dia é a substituição de alimentos saudáveis por pizzas, sanduíches, salgadinhos, que além de mais rápidos para serem preparados estimulam a produção de células de gordura.

O melhor é a prevenção, que começa em casa e continua na escola. Noções de educação alimentar, a prática de atividade física e esporte, além do preparo de receitas criativas e coloridas, com a participação da criança ajudam muito na criação de um novo conceito de refeição.

A obesidade infantil é um fator de risco para a obesidade na vida adulta, causa de problemas cardiovasculares, hipertensão, diabetes e colesterol alto.

As dimensões corporais podem desencadear distúrbios psicológicos, como a baixa auto-estima. Observa-se que crianças entre seis e nove anos mostram menor propensão em unir-se com crianças obesas para quaisquer tipos de atividades sociais e recreativas. Surge a partir daí uma relação causa-efeito entre gordura e incapacidade.

O excesso de peso afeta negativamente a imagem corporal, interferindo na forma da criança pensar a respeito de si mesma.
O enfoque discriminatório pode gerar preconceito em relação à criança obesa, proporcionando dificuldades para relacionamentos sociais e afetivos.
A obesidade deve ser prevenida e corrigida, tendo em vista a saúde e a qualidade de vida.




quinta-feira, 22 de outubro de 2009

CIÚME ENTRE IRMÃOS


Maria Clara ficou muito feliz com a chegada de seu irmãozinho, na época ela tinha três anos e seis meses, mas agora aos cinco anos de idade, Eduardo com um ano e seis meses passou a ser um problema em sua vida.

Ela manteve uma relação amistosa até agora, mas o irmão está tomando mais espaço do que ela pode suportar. A menina passou a ter um comportamento agressivo com Eduardo, muitas vezes colocando em risco a integridade física do irmão.

Um irmão pode ser muito bom quando companheiro das brincadeiras, nas trocas de experiências e na aprendizagem de habilidades sociais, mas pode ser um rival quando se trata de dividir a atenção, e mais problematicamente, o amor dos pais. Um irmão é capaz de desencadear sentimentos contraditórios de amor e ódio, de levar a comportamentos agressivos, com o objetivo de “eliminar” a ameaça, ou comportamentos regressivos, para provocar pena de quem se deseja atenção.

O ciúme entre irmãos é esperado, faz parte das aprendizagens necessárias ao desenvolvimento da socialização. A criança deve aprender a dividir, a esperar a sua vez e principalmente que ela não é a única na vida das pessoas.

Uma dinâmica familiar que permita a manifestação deste sentimento e boas conversas sobre o assunto, de forma que aponte para a criança ciumenta o que ela está sentindo, auxilia na elaboração de suas emoções.
Os pais também devem refletir se a forma como tratam seus filhos contribui para o ciúme.

É difícil encontrar pais que admitam que tem preferência, eles afirmam amar os filhos da mesma forma, mas parece impossível não reconhecer características que valorizam ou que repudiam, ou até de se reconhecer num dos filhos. Tudo isso parece normal, o importante não é amar igual, mas agir com justiça, sem regalias ou protecionismo. O tratamento privilegiado é uma das maiores fontes de ressentimentos.

O ciúme é um sentimento que faz parte das relações afetivas, ele surge diante do medo real ou imaginário de perder o amor da pessoa amada.
Crianças com falta de confiança no outro e/ou em si próprio estão mais suscetíveis a experimentar sentimentos exagerados. O ciúme revela a insegurança da criança em relação ao afeto dos que a cercam, e ela procura chamar a atenção para si ou “destruir” o objeto causador da sua perda.

É essencial que a criança aprenda que tem ganhos sendo compreensiva e que saber compartilhar o carinho das pessoas e até mesmo os brinquedos é recompensador, mas no caso da situação ficar insustentável, um profissional capacitado deve ser procurado.




quinta-feira, 15 de outubro de 2009

BULLYING ENTRE CRIANÇAS E JOVENS


Paulo, 12 anos, durante o recreio foi jogado no latão de lixo por um grupo de colegas de classe. Isabela, 10 anos, circulou por alguns minutos pelo recreio com um cartaz grudado nas suas costas que dizia “baleia”. Marcos, 8 anos, teve sua calça puxada por colegas durante o recreio, de modo que suas nádegas ficaram expostas até que conseguisse se desvincilhar do grupo e puxá-la para cima. Patrícia, 9 anos, ficava sozinha durante o recreio, pois as colegas de classe diziam que ela era feia e filha de feirante.

Vejam a lista que caracteriza violência física e/ou psicológica conhecida como bullying:

Insultar sistematicamente.
Ataques físicos repetidos, contra a pessoa ou sua propriedade.
Danificar objetos pessoais de uma pessoa (material escolar, roupas, etc).
Espalhar rumores negativos.
Depreciar uma pessoa sem qualquer motivo.
Obrigar uma pessoa a fazer o que ela não quer, sob ameaça.
Colocar alguém em situação problemática ou conseguir uma ação disciplinar contra alguém, por algo que ela não cometeu.
Fazer comentários depreciativos sobre a família de uma pessoa, sobre o local de sua moradia, aparência pessoal, orientação sexual, religião, etnia, nível socio-econômico.
Isolamento social.
Usar as tecnologias de informação para pratica o cyberbullying (criar páginas falsas em site de relacionamento, publicar fotos, etc).
Chantagem.
Expressões ameaçadoras.
Grafitagem depreciativa.
Usar de sarcasmo.

O bullying não envolve necessariamente criminalidade ou violência, mas frequentemente funciona através de abuso psicológico, uma combinação de intimidação e humilhação.
Se pararmos para pensar, atitudes anti-sociais sempre existiram, quem não lembra de ter passado um recreio tomando lanche sozinho, pois os amiguinhos se uniram contra você e te isolaram por vinte minutos, quem não foi chamado de “quatro olhos” quando começou a usar óculos, que chegou em casa chorando, pois os colegas riram do seu jeitão de correr... Mas havia limites para estas “maldades” de criança. Havia supervisão dos pais e dos educadores e principalmente se valorizava os vínculos afetivos.
Além das causas identificadas por pesquisadores como violência doméstica, ausência de valores, de limites, de regras de convivência, observa-se falta de empatia nos modelos educativos.
A empatia é a capacidade que temos, ou deveríamos ter, de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas, ser capaz de se colocar no lugar do outro e entender suas reações emocionais.
O bullying é um tema que vem despertando o interesse, pois não se trata de ofensas “bobas”, podendo acarretar sérias consequencias ao desenvolvimento psíquico de crianças e de jovens, gerando desde de baixa auto-estima, até casos mais severos como o suicídio e outras tragédias.
O bullying ocorre mais em situações sem a supervisão de adultos, o recreio é convidativo à existência de comportamentos de intimidação. É necessário adotar estratégias como a oferta de atividades dirigidas por educadores treinados. Seria ótimo que durante o recreio fossem oferecidas oficinas não só com o objetivo de promover aprendizagem informal, mas também dinâmicas de grupo que desenvolvessem princípios de solidariedade, tolerância e respeito às diferenças.
No Brasil existe um projeto pioneiro, o “Programa Educar para a Paz”, desde agosto de 2002, que inclue o trabalho individualizado com os envolvidos em bullying, bem como o envolvimento de toda a escola, pais e a comunidade em geral. Para conhecer um pouco mais sobre este trabalho veja o vídeo no www.youtube.com.br

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

NORMAL?????


O conceito de normalidade em psicologia é uma questão bastante discutível.
Quando se trata de alterações comportamentais extremas fica bem mais fácil identificá-las e classificá-las, mas quando não há diferenças significativas, fica bem mais difícil uma avaliação, até porque o conceito de normalidade impõe uma análise do contexto sociocultural, exige um estudo sobre a suposta alteração comportamental e o contexto social no qual ele acontece.
As culturas estabelecem uma norma ideal, que é supostamente “sadia” e esperam uma adaptação do indivíduo a tal norma. Isto ocorrendo, considera-se o indivíduo “normal”.
Chamo a atenção dos leitores deste artigo para a erotização da criança. Diferente de tratarmos do desenvolvimento da sexualidade infantil, já que ela faz parte de todos os estágios do desenvolvimento do indivíduo e que seguindo seu curso natural, terá uma função importante na construção das emoções, das relações sociais, da experimentação dos papeis feminino e masculino.
O acesso e a estimulação precoce da erotização queimam etapas do desenvolvimento, e acabam exigindo que a criança lide com o assunto sem o devido entendimento, adquirindo uma percepção alterada do próprio corpo: objeto de prazer, consumo e status social.
As estatísticas comprovam as conseqüências das distorções, aumento da gravidez precoce, aumento de casos de abuso e de violência sexual.
Um outro agravante sobre a questão é a aprovação dos pais para o uso de roupas inapropriadas para a idade, principalmente em meninas, escutar músicas e dançar coreografias sensuais, assistir programas de TV e filmes inadequados para a capacidade compreensiva da criança, já que teoricamente são dirigidos à pessoas maduras.
A escola também deve intervir com projetos educacionais que desenvolvam a capacidade crítica e reflexiva sobre o tema sexualidade.
Atualmente, observa-se entre as crianças um mal estar em ser “infantil” o que traz efeitos negativos no campo da maturação afetiva e social da criança.
Volto à idéia inicial do texto, em que a cultura estabelece uma norma supostamente “sadia”, e que a adaptação do indivíduo, autoriza sua “normalidade”. Deixo aos leitores a oportunidade de questionar normas culturais, e não simplesmente introduzi-las em suas condutas apenas para não ser “diferente”, mas talvez saudável.



quinta-feira, 1 de outubro de 2009

CRIANÇA TAMBÉM FICA ESTRESSADA...




Vivemos numa sociedade que exige eficiência e rapidez, somos cobrados e cobramos. Pode até ser que esta cobrança não seja explícita, mas há sempre expectativas de habilidades acadêmicas, sociais, esportivas, o que pode transformar as crianças em vítimas de estresse.

A vida moderna tem levado a uma diminuição do tempo entre pais e filhos, preocupados em manter o lar, em progredir profissionalmente, acabam fazendo tais exigências à distância sem apoio afetivo. Além disso, brigas entre o casal, separação, dificuldade de adaptação social, competitividade são causas frequentes de estresse infantil.

Os pais devem ficar atentos à manifestação de alterações comportamentais como irritabilidade, medos excessivos, pesadelos, alterações de apetite e de sono, comportamentos regredidos como voltar a urinar na cama, chupar o dedo, comportamentos agressivos e afastamento dos amigos. São consideradas alterações significativas quando persistirem pelo menos durante seis meses, isto quer dizer que não é uma fase, e que vai passar...

Segundo estudos da PUC Campinas o estresse infantil pode ser consequência de fatores internos, diretamente relacionados com características de personalidade, que acabam potencializados por fatores externos devido a mudanças significativas ou constantes, responsabilidades e excesso de atividades, brigas ou separação dos pais, exigência ou rejeição dos colegas, disciplina confusa dos pais, nascimento de irmão, doença ou hospitalização, pais ou professores estressados. Os fatores externos, mesmo não relacionados a características de personalidade podem ser suficientemente estressantes para causar alterações comportamentais.

Respeitar o ritmo da criança e não fazer comparações, ouvir suas queixas com atenção e ajudar a criança a encarar os desafios do dia-a-dia promove o estabelecimento de vínculos de confiança entre pais e filhos, e consequentemente fortalece a estrutura de personalidade da criança em desenvolvimento.
Deve ficar claro também, que o amor dos pais deve ser independente de um desempenho perfeito, pois esta certeza elimina a preocupação da criança em corresponder às expectativas de sucesso dos seus pais.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O PODER TERAPÊUTICO DOS PETS NA INFÂNCIA




Juliana Santos encaminhou informações sobre o International Pet Meeting, que ocorreu no último dia quinze na sede da FIESP, em São Paulo.

O encontro abordou o poder terapêutico dos pets na infância, que contribuem para a redução da ansiedade, e até como estímulo do desenvolvimento da linguagem e de habilidades motoras.

Tenho acompanhado o crescimento de novas técnicas terapêuticas com crianças enfermas, e constatei que a utilização de animais como “objeto” intermediário no estabelecimento de vínculo afetivo apresenta respostas significativas.

Já existem algumas associações que trabalham pautadas nas teorias de vinculação e nas teorias das neurociências com bons resultados.
A Associação de Equoterapia, em Santos vem desenvolvendo um trabalho digno de nota.
A Equoterapia é um tratamento destinado aos deficientes físicos e mentais realizado com cavalos. Segundo a ONG a finalidade é desenvolver a coordenação motora e a auto-estima, superar limites e aprender com os aspectos emocionais, como medo e insegurança. Você pode saber mais sobre esta modalidade terapêutica no site da Associação Nacional de Equoterapia (www.equoterapia.org.br).

Temos visto também através dos meios de comunicação, a utilização de cães, coelhos e hamsters como variável motivadora no restabelecimento de crianças hospitalizadas. Os bichinhos recebem um tratamento adequado desde pequenos para que se relacionem com as crianças. Crianças deprimidas, gravemente enfermas conseguem demonstrar alegria e se sentem fortalecidas para suportar o tratamento.

O poder terapêutico dos pets não se restringe às crianças, hoje em dia pessoas que vivem sozinhas a idosos preenchem suas necessidades de “ser imprescindível” cuidando de seus bichinhos que funcionam como eternos “bebês”.


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM: ALUNO OU ESCOLA ?


A escola atual, com frequência, desconsidera as diferenças individuais e está pouco aberta às diversidades, sendo muitas vezes, incapaz de adequar recursos e metodologias, principalmente aos alunos que requerem uma atenção individualizada

Hoje em dia, o que se espera é uma escola que rompa com modelos rígidos e inflexíveis dirigidos ao aluno médio, e que se questione sobre a eficácia de suas estratégias pedagógicas. Há necessidade de rever também, a capacitação dos profissionais que lidam diretamente com o aluno.

Desta maneira, abre-se uma discussão sobre a influência da escola na vida das crianças, e principalmente quando pensamos em crianças com dificuldades para a aprendizagem.

A educação vem sendo “medicalizada” (Collares, 1994), o que representa uma biologização dos problemas, como se todas as dificuldades pudessem ser explicadas e reduzidas a características individuais. Desta forma a aprendizagem e a dificuldade de aprender seriam algo individual, inerente ao aluno, ao qual o professor não tem acesso, muito menos responsabilidade.

O mais comum é encontrarmos diagnósticos centrados no aluno, chegando ao máximo aos pais; a instituição escolar, a política educacional não são questionadas.

Parece haver um “alívio” quando os diagnósticos são apresentados, já que eles justificam as dificuldades da criança avaliada.

Os professores, que deveriam ser também responsáveis por analisar e fazer intervenções para resolver ou minimizar os problemas pedagógicos de seus alunos, assumem uma postura defensiva, reconhecendo-se apenas como mediadores do conhecimento.

O que deveria ser objeto de reflexão e mudança no processo pedagógico acaba sendo ocultado, pela dificuldade localizada apenas no aluno.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

NEGLIGÊNCIA PRECOCE


Regina é mãe solteira e foi abandonada por seu namorado, pai da criança, durante o período de gestação. Apesar de ter assumido a gravidez, o bebê não era compatível com sua vida profissional.

Médica, ela tinha planos de fazer seu mestrado nos Estados Unidos, mas teve que adiá-lo.

Regina contratou os serviços de uma enfermeira, para ajudá-la nos cuidados com o bebê, mas ao final de quinze dias estava tão envolvida com seu trabalho que, os cuidados com seu filho ficaram, exclusivamente, com a enfermeira.

A separação precoce entre mãe e filho foi o início de uma relação pouco afetiva, entre um filho carente e uma mãe ausente, absolutamente não continente das angústias da criança.

Gabriel, atualmente com sete anos, não suporta frustração e reage de forma violenta, não reconhece autoridade e desafia as pessoas a sua volta. Esperava-se que nessa idade, Gabriel já fosse capaz de inibir seus impulsos, adiar seu prazer em nome da socialização, mas era uma criança agressiva, não sabia esperar a sua vez, não suportava perder e exigia que sua mãe comprasse o brinquedo igualzinho ao do amigo, que ele ainda não possuia.

O menino era um “pequeno tirano” e a mãe não tinha o menor controle sobre seu comportamento, mesmo assim Regina decidiu organizar uma festa de aniversário, pois acreditava que premiando-o conseguiria uma trégua.

A festa no buffet foi um desastre, Gabriel não queria enfrentar fila nos brinquedos e em alguns queria exclusividade, chorava e esperneava quando não era atendido, ele queria abrir os presentes e começou a tira-los da caixa onde estavam sendo guardados, e o ponto alto da festa foi se negar a cantar o parabéns, aos berros, porque na mesa do bolo não estavam todos os super-heróis que ele havia determinado.

Vamos considerar Negligência Precoce a situação onde não há uma interação satisfatória entre mãe e filho durante uma fase crítica na vida da criança, a primeira infância, esta condição é capaz de interferir no desenvolvimento infantil.
A criança pode ter recebido cuidados materiais e físicos adequados, mas um relacionamento emocionalmente indiferente ou carente poderá causar danos psicológicos permanentes.

Alguns cientistas constataram que a formação do vínculo afetivo não se limita aos seres humanos. Chimpanzés também apresentaram atraso do desenvolvimento quando privados do contato materno adequado.

Os cientistas acreditam que situações de Negligência Precoce podem determinar alterações no funcionamento social, pois a falta de interação entre mãe e filho, onde a criança está privada, cronicamente, das necessidades básicas para seu desenvolvimento pleno e normal, pode causar prejuízo do desenvolvimento da empatia.

A negligência familiar é um tipo de agressão pela falta de ação, a mãe e o pai negligentes são responsáveis pelo que não fizeram.

A chamada Teoria do Vínculo, diz respeito à necessidade de amor materno para as crianças se desenvolverem bem. O rompimento dos laços afetivos é um fator de risco para o desenvolvimento de desordens psicoafetivas.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A BRINCADEIRA CERTA NA IDADE ADEQUADA


Por experiência posso afirmar que as crianças que tiveram um meio ambiente no qual foram respeitadas no seu processo de crescimento e desenvolvimento, que puderam explorar e vivenciar o mundo ao redor, estão no rastro da criatividade e da energia vital.
Portanto, vamos tratar criança como criança, estimular e mediar a brincadeira conhecendo algumas características evolutivas de dois a cinco anos.
Aos dois anos a criança gosta das coisas que se movem, brinca com areia, pedra e água, gosta de histórias e música.

Já aos três anos é capaz de inventar suas próprias histórias e utiliza o lápis com objetivos gráficos. Consegue traçar formas variadas e também se interessa por argila, fazendo bolinhas e tiras, dando nome a tudo que cria.

Aos quatro anos a criança acrescenta qualidade dramática à brincadeira, com argumentos e histórias das situações lúdicas e dos personagens.

Com cinco anos a criança gosta de armar quebra-cabeças e se interessa por atividades criativas como carpintaria, confecção de bijouterias, culinária entre outras atividades.
É importante ressaltar que a aprendizagem informal, através das brincadeiras será a base para a aprendizagem formal, do conhecimento acadêmico.


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

ABAIXO A ALFABETIZAÇÃO PRECOCE !!!

Recebo crianças com 4 anos com suspeita de dificuldade de aprendizagem escolar. Com esta idade não deveriam estar na escola, mas já que estão deveria ser para brincar.
As crianças precisam brincar para favorecer o desenvolvimento do pensamento, já que a ação e a manipulação da criança alimentam os processos cognitivos.
Mas com a falta dos quintais e de espaço na rua surgiu a necessidade de um lugar para abrigar, possibilitar e estimular as brincadeiras infantis.
Veio a moda da pré-escola e o processo de alfabetização foi recuando para seis anos, cinco e quatro anos. Não é por acaso que os problemas de aprendizagem são mais constantes do que antes, se alfabetiza muito cedo, as crianças não estão prontas para iniciar este processo e são identificadas dificuldades que, na realidade, não existem.
Alguns autores apontam três razões para estas dificuldades: imaturidade neurológica, ausência de comportamentos adequados para aprender e ausência de motivação.
Espontaneamente, a criança classifica, relaciona, ordena, compara, constrói a noção de tempo e espaço, entre outras operações, que são as mesmas utilizadas na leitura e na escrita, assim como na alfabetização matemática.
É muito mais saudável que ela brinque com seus bichinhos de plástico e faça grupos de animais selvagens, domésticos, aquáticos porque faz parte da fantasia que envolve tal brincadeira, do que desenvolver esta operação de classificação com bolinhas desenhadas em folha impressa, obedecendo regras estabelecidas oralmente pela professora.
Esta operação de classificação em material gráfico, provavelmente não tem nenhum significado para ela, já com os bichinhos, pode haver vários aspectos, o primeiro deles é o prazer de brincar livremente, seguem-se o desenvolvimento físico que exige gasto de energia para a manutenção diária do equilíbrio, do controle da agressividade, a experimentação pessoal em habilidades e papeis diversificados, a compreensão e a incorporação de conceitos, a realização simbólica dos desejos, a repetição das brincadeiras que permitem superar as dificuldades individuais, a interação e a adaptação ao grupo social, entre outras.
É necessário que pais e educadores se conscientizem que a brincadeira não constitui uma perda de tempo, pelo contrário, ela possibilita o desenvolvimento integral da criança, já que ela se envolve emocionalmente e opera mentalmente durante a atividade lúdica.
As habilidades necessárias para a aprendizagem da leitura e da escrita são adquiridas durante os anos de brincadeiras, e a criança necessita de pelo menos sete anos para brincar intensamente.


MÃE DESNATURADA

A maternidade é uma função desenvolvida através de nossas experiências como filha e através da apropriação dos modelos parentais. De maneira geral, a crença que estas funções são naturais, instintivas tem algumas centenas de anos. Boa mãe, como conhecemos hoje, com uma propensão natural ao sacrifício, amor universal e automático pelos filhos e sua completa satisfação nas tarefas de maternagem, não foi sempre assim.
Na Idade Média, as mães mandavam seus filhos para as amas-de-leite, por darem preferência a outros interesses. Foi no século XX que surgiu a crença de vocação materna, instintiva e obrigatória, nascendo assim o mito de mãe perfeita. Esta concepção assume proporções insustentáveis, levando a mulher a vários questionamentos sobre sua capacidade de cuidar de seus filhos. Existe uma proporção maior de mulheres que chegam à conclusão de que são “mães desnaturadas”, e poucas são as que buscam flexibilizar o padrão rígido e determinista cultuado socialmente.
Não há dúvida que a participação da mulher no mercado de trabalho tem trazido muitas mudanças nas relações familiares. As mulheres de hoje tem outros interesses, desejos, expectativas, e sobretudo outras alternativas para se realizarem como mulher, que não estão restritas à maternidade. Percebemos uma nova mulher que vive uma ambivalência materna em relação aos seus filhos: os sentimentos de amor e ódio. Sentimentos contraditórios que acarretam dúvidas, angústias e principalmente culpa.
Esta situação me leva a acreditar que o conflito vivenciado pelas mães do século XXI tem uma influência direta nas alterações de comportamento das crianças. O sentimento de incapacidade, o desapontamento em não sentir toda a emoção e felicidade mostrada em filmes, nas propagandas infantis e nas histórias de vizinhas e amigas, estabelece uma relação em que a mãe está em débito com seu filho, levando a uma inabilidade de lidar com as angústias e as frustrações das crianças, se tornando pouco continente e mais permissiva.
Muitas mães “confessam” apenas para a psicóloga, sob a garantia do sigilo profissional, que “em alguns momentos da vida preferiam não tê-los”, imagino o quanto deve ser dolorosa esta constatação, que só pelo fato de pensar, já a coloca numa situação de “mãe desnaturada”.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

PARA QUE BRINCAR COM OS FILHOS ?

Pablo me dizia que quando não tinha nada para fazer, surgiam uns pensamentos repetitivos, que lhe traziam preocupações com seu futuro e com a integridade física de seus pais. Pablo queria se livrar destes pensamentos, eles invadiam sua mente sem serem convidados e transformavam sua tranqüilidade em agitação motora, sensação de desmaio, dores de cabeça.

Ele conseguia retomar o equilíbrio apenas quando um de seus pais estava a seu lado, para garantir-lhe segurança.

O mais interessante é que estes pensamentos tão ameaçadores ocorriam apenas quando estava em casa, sem nada de interessante para fazer, já que estava proibido de entrar no computador durante os dias da semana, e na televisão, os programas eram repetidos ou muito chatos. Fácil identificar traços de ansiedade nas dificuldades relatadas por Pablo, mas por que?
Observa-se hoje em dia, crianças com pouca capacidade de simbolização, conseqüência de infâncias pobres em brincadeiras. Não existem mais quintais, as pré-escolas estão preocupadas com a aprendizagem formal da criança e no lugar de tanque de areia, pneus, cordas, bolas entre outros objetos lúdicos, colocam suas crianças sentadinhas na frente de folhas e lápis para aprenderem o quanto antes, ler e escrever.

No brincar observa-se um divórcio entre o brinquedo e o uso que a criança faz dele, é verdade que a brincadeira acaba surgindo a partir da forma ou do material, mas isto não é determinante, pois a realidade efetiva do jogo se exprime pelo emprego do brinquedo. A criança é capaz de utilizar quaisquer objetos para brincar, pois o essencial não tem a ver com o objeto, que serve apenas de mediador entre a realidade e a imaginação.

Para isso a criança precisa ter sido ensinada e estimulada ao jogo de faz de conta. Os pais têm uma função primordial nestas aquisições, eles são “o mundo” destas crianças, e elas estão prontas para reproduzir o que eles fazem. No desenvolvimento da criança, a reprodução da brincadeira dará lugar à criação do seu espaço lúdico, e a conquista da autonomia. Da autonomia para preencher o seu próprio vazio, com atividades criativas e produtivas.

Poucos são os pais que brincam com seus filhos e poucas são as escolas que realmente valorizam a brincadeira. Não estou falando da quantidade de brinquedos que as crianças possuem, muito menos da tecnologia avançada de tais brinquedos, nada é mais importante do que pais que brincam com seus filhos. Mais tarde os filhos serão capazes de brincarem sozinhos ou em grupo, com um repertório aprendido e transformado em seu próprio repertório, garantindo assim a autonomia.

É claro que, as estruturas egóicas são complexas, mas brincar é imprescindível para promover a saúde mental de qualquer ser humano.

terça-feira, 26 de maio de 2009

O DESENHO INFANTIL



Mesmo com toda a tecnologia nada é tão prazeroso para uma criança do que lápis de cor e folha para poder admirar o movimento que deixa rastros. Um montão de rabiscos que são a extensão de seu braço, que podem se transformar no que a criança quiser, traços que simbolizam suas vivências e que mais tarde escreverão sua história. Esta é a evolução do desenho infantil, hoje com menos espaço para esta experiência vemos histórias de vida sem muitas palavras.


Os primeiros traços da criança com o lápis sobre uma folha são o produto de “golpes”, pois o controle motor da criança é muito limitado. Nesta fase a atividade gráfica é essencialmente orgânica – o traço é conseqüência de um gesto que descreve uma trajetória. Vivenciando o movimento, a criança entre 16 e 18 meses, descobre que existe uma relação entre seus movimentos e os traços obtidos, e o traço passa a ser a razão de seu gesto. Nesta fase a criança começa a diversificar seus movimentos: verticais, horizontais, circulares que lhe permitem controlar o lápis e refinar a atividade gráfica.


Estes rabiscos representam uma forma de jogo, e por volta dos dois anos, a criança começa a dar nome a seus rabiscos, mostrando um desejo de dar significação. As garatujas como são chamados os rabiscos, demonstram traços do temperamento e imaginação da criança, pois a criança rabisca não só pelo prazer do movimento, mas também para representar suas emoções, suas descobertas, sua maneira de ver os objetos e os outros.

Aos quatro anos as garatujas se organizam e tomam um significado compreensível, aparecem as primeiras figuras esquematizadas e algumas letras do alfabeto. Percebe-se nesta fase um maior controle dos impulsos e um comportamento socialmente aceito.

Por volta dos oito anos, com a consolidação do pensamento lógico, das regras sociais e familiares, o desenho é mais próximo da realidade concreta. O desenho cresce com a criança. Corresponde ao amadurecimento intelectual e afetivo, pois a criança não copia a realidade, ela a representa através da impressão mental, ela exprime o que é significativo e que suscita reações emocionais.

Por exemplo, uma criança poderá desenhar seu pai maior do que uma árvore, porque a noção de proporção tem um significado afetivo, neste caso, o pai é mais querido do que a árvore.


O desenho é uma forma de expressão, portanto equivale a um discurso. As crianças que desenham tornam-se observadoras, porque experimentam a necessidade de achar novos conteúdos para exprimir e se apropriar de novas idéias, é o ponto de referência para elaborações lógicas.

Sobre uma folha, através dos desenhos, as crianças são capazes de exprimir conflitos e angústias, desejos e fantasias.

Assim o desenho infantil é uma representação gráfica do pensamento e dos sentimentos, quanto mais a criança desenvolve a atividade, mais possibilidade ela terá de elaborar suas relações cognitivas e afetivas com o meio em que vive, e com as pessoas que a rodeiam.