Ele conseguia retomar o equilíbrio apenas quando um de seus pais estava a seu lado, para garantir-lhe segurança.
O mais interessante é que estes pensamentos tão ameaçadores ocorriam apenas quando estava em casa, sem nada de interessante para fazer, já que estava proibido de entrar no computador durante os dias da semana, e na televisão, os programas eram repetidos ou muito chatos. Fácil identificar traços de ansiedade nas dificuldades relatadas por Pablo, mas por que?
No brincar observa-se um divórcio entre o brinquedo e o uso que a criança faz dele, é verdade que a brincadeira acaba surgindo a partir da forma ou do material, mas isto não é determinante, pois a realidade efetiva do jogo se exprime pelo emprego do brinquedo. A criança é capaz de utilizar quaisquer objetos para brincar, pois o essencial não tem a ver com o objeto, que serve apenas de mediador entre a realidade e a imaginação.
Para isso a criança precisa ter sido ensinada e estimulada ao jogo de faz de conta. Os pais têm uma função primordial nestas aquisições, eles são “o mundo” destas crianças, e elas estão prontas para reproduzir o que eles fazem. No desenvolvimento da criança, a reprodução da brincadeira dará lugar à criação do seu espaço lúdico, e a conquista da autonomia. Da autonomia para preencher o seu próprio vazio, com atividades criativas e produtivas.
Poucos são os pais que brincam com seus filhos e poucas são as escolas que realmente valorizam a brincadeira. Não estou falando da quantidade de brinquedos que as crianças possuem, muito menos da tecnologia avançada de tais brinquedos, nada é mais importante do que pais que brincam com seus filhos. Mais tarde os filhos serão capazes de brincarem sozinhos ou em grupo, com um repertório aprendido e transformado em seu próprio repertório, garantindo assim a autonomia.
É claro que, as estruturas egóicas são complexas, mas brincar é imprescindível para promover a saúde mental de qualquer ser humano.